quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Recortes: Uma colectânea de estalos só para adultos (1 de 2) - Informática - Expresso (1995)

Regressamos ao Expresso, com um recorte da rubrica de Informática, escrita por Ilídio Alves (na secção de Tendências), que abordava temas afectos à informática (como é óbvio), com os jogos a ocupar grande destaque. A secção, não rara as vezes, ocupava duas páginas, o que aconteceu nesta publicação de 24 de Junho de 1995 - iremos disponibilizar a segunda página na próxima Quinta-feira.

E o tema em destaque traz-nos à memória uma figura bem conhecida das aventuras "point & click": Larry, o aventureiro trintão e eterno sedutor falhado. Quem não se lembra da demanda de Larry para perder a sua virgindade em "Leisure Suit Larry in the Land of the Lounge Lizards"?

A colectânea referida por Ilídio Alves, é a "Larry Collector's Edition", uma colecção de CDs com todos os jogos do Larry até ao sexto da série criada por Al Lowe, excluindo o nº4 - "Leisure Suit Larry 4: The Missing Floppies", facto aliás referido por Ilídio no seu texto. Coincidentemente um dos nossos membros, Mario Cavalcanti, esteve com Al Lowe na BGS 2019 - a nossa cobertura do evento pode ser vista aqui - e deveríamos ter questionado Al sobre as lendárias disquetes perdidas - a falha foi nossa!

Resta-nos sugerir aos leitores que abram o recorte abaixo e leiam o texto de Ilídio sobre esta colectânea de um dos mais hilariantes personagens de aventuras - a segunda parte do recorte seguir-se-á na próxima semana.


Uma colectânea de estalo só para adultos - Ilídio Alves

domingo, 19 de janeiro de 2020

domingo, 19 de janeiro de 2020

Nacional: A Terra Encantada (1993-2019)

Vamos começar uma série dedicada ao Paulo Teixeira, figura conhecida na comunidade lusa do ZX Spectrum, mas que também esteve envolvido na programação independente de jogos para MS-DOS. Apesar destes jogos nunca terem sido copiados ou distribuídos, iremos analisar cada um deles e também as edições especiais que o Paulo tem vindo a preparar neste últimos meses, com o apoio do Planeta MS-DOS!

Apresentamos a edição especial de "A TERRA ENCANTADA", jogo português dentro do género de aventuras de texto, originalmente programado por Paulo Teixeira em 1993, para os PC compatíveis.

A aventura começa com a mesma premissa clássica das histórias de fantasia: estamos na pele de um corajoso e jovem aventureiro, Phillip, escolhido pelos anciãos para derrotar o sinistro Malcom, um feiticeiro maléfico que tem vindo a corromper as belezas da Terra Encantada. Mas não estamos sozinhos, pois podemos contar com a ajuda de Sarah, a nossa irmã e aprendiz de feiticeira, bem como com o nosso avô Jones, um dos anciãos do reino.

A interface do jogo.

O jogo é constituído por texto, no qual podemos ler as descrições dos cenários e interagir com estes através de comandos que representam acções, tais como apanhar objectos, falar com outros personagens ou avançar em determinada direcção. A interface, apesar de ser toda em texto, está organizada de modo que o jogador tenha uma leitura fácil do inventário, provisões e outras informações relevantes sobre o estado físico do jogador.

Cada comando digitado corresponde a um turno que irá aumentar os estados de fome e sede, indicados por barras também presentes na interface. De referir que o jogador precisará comer ou beber regularmente para evitar a morte. Pela pontuação total também poderemos acompanhar o nosso progresso no jogo, visto que por cada desafio alcançado a nossa pontuação aumentará.

E por falar em morte, esta não vem apenas quando somos atingidos pela inanição ou desidratação - existem alguns obstáculos naturais que poderão conduzir a um fim súbito e violento. Mas basta estar atento às pistas deixadas nas descrições para evitar tal infortúnio.

Diálogo entre Phillip e Sarah, sua irmã.

Quanto ao nosso herói, este não se encontra sozinho nesta terra encantada - existem outros coadjuvantes que serão essenciais para o sucesso da nossa aventura, sendo obrigatório interagir e dialogar com eles se pretendemos progredir no jogo. Há também Malcom, o antagonista, que nos parecerá estar sempre um passo à nossa frente...

A lista de comandos é variada e permite o uso de verbos, substantivos, artigos definidos e preposições, embora, na maior parte das vezes bastará apenas o verbo e o substantivo. Eis alguns dos comandos que poderemos necessitar para executar diversas acções: APANHAR, FALAR, USAR, OLHAR, entre outros.

Apesar do uso intensivo do texto, há uma boa distribuição das cores que facilita a leitura do mesmo. O jogo possui alguns efeitos sonoros, muito minimalistas, mas que servem para indicar a execução de acções relevantes para o progresso do jogo.

O ecrã da "morte"!



Tivemos oportunidade de testar a versão original e a especial. Além da correcção de uma série de bugs, incluindo um que resultava num softlock (impedindo o avanço no jogo), o Paulo melhorou a consola de entrada de texto,  re-escreveu e ajustou descrições, corrigiu erros ortográficos, e acrescentou o ecrã de fim de jogo (exibindo uma pitoresca caveira), incluíndo também um splash-screen bem como um menu que não existiam na versão original.

Splash screen da edição especial.

Foi também acrescentado um menu principal e novos comandos para permitir a gravação e carregamento do estado de jogo para um ficheiro de savegame, o que muita falta fez nos nossos testes da versão original! Para usar tais funcionalidades basta inserir os comandos SALVAR ou CARREGAR.

Abaixo podemos ver o ecrã de entrada da versão de 1993 e o da versão especial, com o respectivo menu.

Ecrã de entrada (1993)

Ecrã de entrada com menu (2019)

Acrescentamos também que é demasiado evidente a forte influência do "The Legend of Kyrandia", seja nos nome de alguns personagens, seja na forma como os lugares do jogo se distribuem, assemelhando-se a um mapa de aventura gráfica "point & click". O Paulo gentilmente forneceu o seu próprio mapa,  desenhado à mão aquando do desenvolvimento deste jogo. 

Neste mapa percebe-se como a navegação entre os lugares faz-se praticamente num eixo (ESQUERDA/DIREITA) ao contrário dos pontos cardeais (NORTE, SUL, OESTE, ESTE) a que estamos habituados nas tradicionais aventuras de texto - o que de modo algum tira profundidade à história, pelo contrário.

O mapa original desenhado pelo Paulo durante o desenvolvimento do jogo.

O jogo foi programado e compilado com o QuickBasic 7.1, e trabalha com as resoluções 320x200x16 ou 640x350x16.

Recomendamos o uso do DOG como frontend do DOSBox, mas qualquer outro servirá desde que o ficheiro de configuração seja idêntico a este.

Este foi o primeiro jogo programado pelo Paulo, e como tal, não se poderia exigir algo muito complexo ou com maior refinamento. Para quem é fã de aventuras de texto, terá no "A Terra Encantada" um pequeno, mas bom desafio - desde que saiba português!

A página oficial do jogo pode ser acedida por aqui, e a versão especial está disponível gratuitamente aqui.

Dicas:
  • Antes de entrar em casa, precisa abrir a porta!
  • Inspeccione muito bem a divisão onde o seu avô dorme!
  • Se um lugar lhe parecer perigoso, não o atravesse!
  • Não se esqueça de apanhar o punhal, pode dar jeito!
  • Tente falar com a sua irmã Sarah, sempre que se sentir perdido!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Recortes: Prince of Persia II - Tecno-lógica (1994)

Nesta semana trazemos um recorte curioso de uma revista não identificada. Trata-se de uma secção, com o título "Tecno-lógica" e que aparentemente se dedicaria a temas relacionados com informática e jogos. (A memória de quem vos escreve já não é a mesma de há 30 anos atrás, mas além do ano - 1994 - tenho a vaga ideia de que este recorte veio de uma revista para jovens, "quiçá" alguém a possa identificar e informar-nos?)

Prince of Persia 2 retoma onde o primeiro havia terminado.

Seja como for, o autor da secção, Carlos Manuel, um óbvio fã de Prince of Persia, fez uma bem humorada review à continuação de um dos seus jogos favoritos. De apontar que Carlos levantou as mesmas questões existenciais que talvez outros jogadores tiveram na época: afinal qual o nome do jovem viajante e porque raios ele não enfrentou, logo ao início, o nefasto Jaffar na sala do trono? Mas, acrescentamos nós, que se assim fosse não haveria jogo nem poderíamos visitar os magníficos e coloridos níveis do mundo de Prince of Persia 2.

Esqueletos e cavernas - o que mais um jovem viajante poderia pedir?

Sem mais delongas, deixamos os leitores deliciarem-se com mais um recorte (o único que temos desta revista por identificar).

Prince of Persia II - Carlos Manuel

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Recortes: Os Jogos no Computador (2 de 2) - Secção do Leitor - Correio da Manhã (1995)

Hoje publicamos a segunda parte do recorte que temos em nossa posse, "Os Jogos no Computador", secção do Correio da Manhã dedicada ao mundo dos videojogos, e da autoria de Pedro Amaral. Perguntamos-nos se não seria o mesmo Pedro Amaral que fez parte da redacção da famosa revista Mega Score?

Enquanto que a primeira página era dedicada a análises de jogos (como vimos no anterior recorte sobre o Cyberia 2), nesta segunda página encontrava-se uma secção de cartas, para onde os leitores enviavam dicas e códigos de acesso, questões, ou simplesmente uma vontade de se corresponderem entre si.

Activando a batota!

Não resistimos a referir parte de uma das dicas enviadas para esta secção, pelo Pedro Cunha, jovem então com 17 anos. Trata-se de uma batota que muitos fãs do primeiro Warcraft certamente reconhecerão. Digitando a mensagem CORWIN OF AMBER, tem-se acesso a várias cheat codes, com nomes bem sugestivos, tais como POT OF GOLD ou HURRY UP GUYS!

TRIFORCE for the win!

Seguem-se várias dicas para jogos como LHX Attack Chopper, Stellar 7, Power Drive, o fabuloso Terminal Velocity e Johny Bazookatone.

Finalmente,  Pedro Amaral reserva um espaço para falar sobre futuros lançamentos e, curiosamente, refere duas conversões para PC, de conhecidos jogos (para consolas):  BLAM! Machine Head e Toshinden - ambos os jogos acabariam sendo lançados para MS-DOS no ano de 1996.

Segue-se então o recorte para ser apreciado!


Secção do Leitor - Pedro Amaral

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Saiu "THE POLYGONS OF ANOTHER WORLD: IBM PC"

Não foi preciso esperar muito, Fabien acaba de publicar no seu site, o artigo referente ao port do Another World para o IBM PC. E como não podia deixar de ser, é uma leitura excelente!

Retirado de http://fabiensanglard.net/another_world_polygons_PC_DOS/index.html

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Recortes: Os Jogos no Computador (1 de 2) - Cyberia Retoma Tiro-neles - Correio da Manhã (1995)

Após uma pausa de férias de Natal, retomamos o Recortes, desta vez com a primeira parte de um recorte em nossa posse, da secção "Os Jogos no Computador" do Correio da Manhã, escrita por Pedro Amaral.

A primeira página, a qual postamos hoje, é dedicada exclusivamente à análise de Cyberia 2: Resurrection, a continuação do afamado Cyberia, um rail-shooter com elementos de resolução de puzzles e longas sequências de animação, num cenário cyberpunk.

A análise positiva no Correio da Manhã não reflecte, no entanto, a receptividade mista da crítica aquando do lançamento do Cyberia 2. Apesar de tudo, a série Cyberia representa uma época em que o CD-ROM torna-se o suporte por excelência dos videojogos. De referir também que a edição referida no recorte é da Portidata que incluía, como habitualmente, um manual traduzido para a lingua portuguesa.

Deixamos abaixo algumas capturas do jogo e, no final deste post, o recorte propriamente dito!






CYBERIA retoma 'tiro-neles" - Pedro Amaral


Nova série de artigos técnicos sobre Another World

E eis que o Planeta MS-DOS regressa em pleno neste novo ano de 2020 que promete muitas novidades!

Para começar o ano em beleza, reportamos uma novidade no site do Fabien Sanglard, conhecido pelas suas excelentes análises técnicas e "code reviews" a jogos clássicos, ou como o autor dos livros "Game Engine Black Book" que abordam os aspectos técnicos dos motores dos clássicos Wolfenstein 3D e DOOM.

Pois bem, Fabien está a lançar uma nova série de artigos sobre a arquitectura de computadores dos anos 90, na óptica da conversão de software entre plataformas tão distintas como IBM PC, Atari ST, SNES, entre outras.



Fabien já havia publicado em 2011, um "code review" de Another World - demonstrando como este jogo é uma pérola da computação, pela aplicação de conceitos inovadores para a época, como o uso de máquina virtual e interpretador de byte-codes, que permitiram a relativamente fácil conversão do Another World para um bom número de plataformas diferentes.

 Sanglard, F. (2011). Another World Architecture [Imagem]. Retirado de http://fabiensanglard.net/anotherWorld_code_review/index.php

Tendo em conta isto, Another World é o pretexto ideal para este estudo de Fabien, sendo que a primeira plataforma abordada, não é mais que aquela onde o jogo foi desenvolvido: o Amiga 500.

Iremos seguir atentamente esta série e, claro, faremos referência quando o artigo sobre a conversão para IBM PC for publicado!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Especial de Natal: Joystick Magazine CD-ROM nº99


Para este dia de natal decidi relembrar um CD-ROM que me foi trazido pelo natal de 1998 por familiares que viviam em França. A revista francesa Joystick nº99 foi simultaneamente a minha primeira revista de jogos, o primeiro cd-rom do género a que tive acesso e também me permitiu através dos seus demos experimentar alguns dos meus primeiros jogos "sérios", fora dos jogos infantis que até à altura eram a única coisa que conhecia.


Temos aqui um típico CD de revista que inclui demos, conteúdos exclusivos acerca de alguns jogos, shareware, patches, programas variados e, como era costume na época, um programa que permitiria o acesso à internet, fazendo contrato através da Infonie (fornecedor francês de internet).
O ano de 1998 foi excelente para jogos, como se pode ver facilmente pela lista de demos da imagem acima, sendo fácil destacar daqui vários títulos memoráveis.
A minha seleção da época incluiu o Microsoft Pinball, Nightlong, Age of Empires: Rise of Rome e Abe's Exodus. Foram estes que experimentei na altura e que continuei a jogar, mesmo ao avançar para o Windows 98 e XP. Muito antes de poder ter acesso a todo o tipo de jogos através da pirataria, quer através de downloads online, quer através de jogos emprestados por amigos, eram com estes demos que me entretinha, explorando-os ao máximo.


O que mais joguei na época foi o Nightlong: Union City Conspiracy, aventura gráfica produzida pela Team 17 (conhecida pela série Worms) totalmente em 3D, num ambiente imersivo cyberpunk extremamente bem desenhado. Em seguida, destaco o Microsoft Pinball Arcade, que apesar de apenas ter uma mesa disponível - Haunted House - me divertiu imenso com a sua simulação muito realista tanto a nível gráfico, como de física e foi no meu computador uma constante durante os anos seguintes, sendo reinstalado em vários sistemas operativos diferentes. Recordo-me de me divertir com Abe's Exodus, sendo um jogo extremamente bem construído a todos os níveis, apesar de não ter sido o meu predileto da época e também de experimentar um pouco o Age of Empires. Este último nunca foi muito meu estilo de jogo, por isso facilmente fiquei entediado, colocando-o de lado.


Queria só deixar uma nota final para os desenhos de Didier Couly, um cartonista cujo conteúdo de humor negro, controverso e políticamente incorreto, vêm na longa tradição francesa do estilo do Charlie Hebdo. Para este CD contribuiu com vários dos seus desenhos e animações que resolvemos partilhar aqui.
Pelo que tenho visto, a qualidade dos CD-ROMs franceses sempre foi muito elevada, tendo sempre direito a desenhos, animações e música original desde que começaram a ser distribuídos com revistas, algo que nunca vi em Portugal, pelo menos na mesma época. Daí que, mesmo não sendo comum analisar este tipo de CD-Roms, achei que seria interessante relembrar este que continua a ser interessante, não só pela parte nostálgica ligada aos videojogos e software, mas também pela arte original para si concebida.