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terça-feira, 15 de março de 2022

terça-feira, 15 de março de 2022

Disquete da softhouse ShareMania com o jogo Bio Menace

Compartilho hoje com vocês um item que conservo em meu acervo com muita nostalgia: um disquete que está comigo desde meados dos anos 90 e que contém nada menos que uma cópia do Bio Menace, grande jogo desenvolvido pela icônica Apogee Software – e um dos títulos preferidos de outro coeditor aqui do blog, o Filipe Veiga). Vejam foto abaixo.


Esta cópia foi adquirida em 1994 na softhouse ShareMania, do Rio de Janeiro, e é um retrato de tempos incríveis que não voltam mais. A etiqueta com o nome do jogo era impressa no ato da compra, em jato de tinta, pela própria ShareMania. A etiqueta menor, com o código 3D0008, foi colada por mim, aos 17 anos (era a forma como eu catalogava meus disquetes: 3D para discos de 3 ½ e 5D para discos de 5 ¼. Não me perguntem porque eu padronizava dessa forma). Estamos falando de um período em que: 1) a cena do shareware estava em plena ebulição; 2) a multimídia começava a mostrar o seu potencial no Brasil; 3) ainda tinha força o conceito de softhouse tal como conhecemos desde os anos 80 com o MSX, o TK-90X (clone brasileiro do ZX Spectrum) e outros microcomputadores, só que desta vez mais focado no Commodore Amiga e no padrão IBM PC, ou seja, um local onde você poderia comprar, a preços bem atraentes, jogos, aplicativos e utilitários (pirataria, a bem dizer, mas isto é outra história). O mais importante neste post é que o disquete segue funcionando. Conseguimos até mesmo rodar o Bio Menace a partir dele!



Capturamos abaixo telas do diretório, que mostram inclusive arquivos referentes ao jogo datados de 1993 (seu ano de lançamento).


E vamos a alguns dos arquivos presentes no disco:

BM-HELP.EXE – Trata-se de um suporte técnico "on-disk", algo como um README, mas em formato de uma aplicação que trazia não só informações detalhadas sobre como rodar o jogo e resolver problemas, mas também as formas de contato com a Apogee para maiores esclarecimentos. Interessante observar a presença desta grande publicadora em uma grande variedade de serviços online: Internet, Compuserve, America Online, Prodigy e em diversos BBSs. Fazendo uma comparação com os dias de hoje, seria o equivalente a estar presente nas principais redes sociais. Este formato de suporte técnico era comum entre as grandes publicadoras da época.




UK_ORDER.TXT – Um arquivo TXT que facilitava o trabalho dos residentes do Reino Unido que desejassem comprar – via Transend Services ltd (uma distribuidora oficial da Apogee na Europa?) – uma cópia completa do jogo via telefone, correio ou fax. Bastava preencher dados como nome, endereço, telefone e quantidade de cópias. Notem que havia até mesmo um campo para o usuário contar como conheceu o jogo Bio Menace. Aqui no Brasil eu vivi com uma certa intensidade a experiência de se comprar jogos nas piratohouses via telefone (sim, algumas ofereciam esta facilidade). Bastava ligar, encomendar a gravação dos jogos em fita cassete ou disquete e combinar o dia que iria buscar. O pagamento era feito no ato, ao buscar o pedido. Era algo tão simples quanto alugar um filme em uma videolocadora, só que via telefone. Mas eu fico imaginando o MUST que deveria ser você ligar para um canal oficial e encomendar uma cópia 100% original do Bio Menace.


Parênteses para a ShareMania: se você frequentava softhouses no Rio de Janeiro e o nome ShareMania não lhe é familiar, você ficará surpreso em saber que se trata nada menos da Nemesis Informática, clássica softhouse que ficava no centro do Rio desde os tempos áureos do MSX. Entre 94 e 95 a chama do freeware e do shareware estava tão acesa que a Nemesis passou a adotar o nome ShareMania em seu catálogo de jogos shareware para PC, como mostra a propaganda abaixo (com preços em URV!), veiculada na revista Micro Sistemas nº 137, do mesmo longínquo ano de 1994.

A Nemesis talvez tenha sido a softhouse que eu mais visitei. Seguramente frequentei este local de 1987 a 1998, e o procedimento para se adquirir jogos e aplicativos era basicamente o mesmo durante todo esse período: eu levava uma mídia virgem (fita cassete, disco de 5 ¼ ou disco de 3 ½ na época em que vendiam jogos de MSX e disco de 3 ½ já na época do 386 ou do 486) ou comprava uma no local, escolhia os jogos em um catálogo e esperava a gravação. No auge do shareware, pagávamos uma quantia simbólica pelo "trabalho de cópia" (nessa época do Bio Menace era algo em torno de R$ 1,00 por jogo). Este era o argumento de muitas piratohouses para contornar a filosofia do shareware de ser distribuído gratuitamente. Ou seja, pagávamos pelo serviço de cópia, e não pelo jogo. E assim as softhouses ganhavam um novo fôlego no negócio de venda de software. Parte dessa atmosfera poderá ser vista no documentário "LOADING... Nossos Primeiros Jogos de Computador", de autoria de Carlos Bighetti e Marcus Garrett, previsto para ser lançado ainda este ano.

Os parênteses acima foram para destacar mais dois arquivos presentes no disquete do Bio Menace:

MENSAGEM.COM – Nada menos que uma propaganda da ShareMania. Trazia o endereço da Nemesis Informática e demais informações sobre shareware. Vale frisar .


GO.BAT – Um arquivo batch que mostra primeiro a propaganda da ShareMania (MENSAGEM.COM) e em seguida executa o Bio Menace (BMENACE1.EXE).

Enfim... Em 1994 a Seleção Brasileira conquistava o tetra; Ayrton Senna e Kurt Cobain nos deixavam; o Visual BASIC era uma das linguagens de programação mais populares; estávamos prestes a presenciar o lançamento do Windows 95; o IBM Aptiva era um sonho de consumo; kits multimídia eram objetos de desejo; e eu, na época com 17 anos, comprava a versão shareware do Bio Menace na ShareMania. E você? Dentro do universo do PC, o que o ano de 1994 lhe faz lembrar?

Em tempo: subimos o conteúdo do disquete para o Internet Archive. Abaixo está também o link para a referida revista Micro Sistemas com o anúncio da ShareMania.

Micro Sistemas nº 137 no Datassette Conteúdo do disquete deste post

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Ainda mais recortes da Notícias Magazine!

O Miguel Brandão já havia disponibilizado os recortes da coluna Micropanorama, assinada pelo João Paulo Cruz, e publicada na década de 1990 na revista Notícias Magazine. Agora o Miguel também disponibilizou para a comunidade, os recortes referente à coluna de Informática de Simões Dias. Certamente será do interesse dos nossos leitores!

Os recortes digitalizados e catalogados pelo Miguel Brandão (a quem nós novamente agradecemos) encontram-se nesta pasta. Boa leitura!

sábado, 25 de dezembro de 2021

sábado, 25 de dezembro de 2021

Novos recortes da Notícias Magazine

Já tivemos a oportunidade de apresentar alguns recortes da coluna Micropanorama que fez parte da revista Notícias Magazine. Esta publicação acompanhava o Jornal de Notícias aos Domingos. Escrita por João Paulo Cruz, também reconhecido como o responsável pela Micromania, secção do anterior suplemento JND (não nos confundemos com a espanhola MicroMania) que apresentava duas páginas com análises e trabalhos de leitores. Outros lembrar-se-ão dos magníficos mapas que desenhou para A Capital. A acompanhar a Micropanorama havia a coluna de Informática escrita por Simões Dias sobre as actualidades do mercado doméstico de informática. Ambas fizeram parte da secção Estar em Casa embora aparecessem com uma periodicidade variável.

Não é por acaso que tanto neste blogue como no Planeta Sinclair temos procurado preservar o fantástico legado do João Cruz. Mas não somos os únicos nesta demanda, outros fãs cresceram com estas páginas e têm estado a procurá-las com afinco. É o caso de Miguel Brandão que já compilou um número considerável de páginas digitalizadas da Micromania, partilhadas por vários grupos portugueses de retro-computação nos últimos anos.

É com prazer que trazemos aos nossos leitores, o último achado de Miguel: uma série de recortes da Notícias Magazine que apresentam as colunas de João e Simões. Apesar da Micropanorama ser uma sombra da sua antecessora Micromania, a sua preservação continua a ser relevante, visto estas análises do João Cruz terem sido as últimas que escreveu, antes de este colunista ter desaparecido do radar. A coluna de informática é também interessante por ser referente ao período abrangido pelo nosso blogue.

Os recortes digitalizados e catalogados pelo Miguel Brandão (a quem nós agradecemos pela gentileza) encontram-se nesta pasta. Divirtam-se e boa continuação de festas!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

RS232 n.º3


Quem consultar a edição n.º3 da Revista RS232 referente ao mês de Março de 1988, irá relembrar-se de duas referências bem conhecidas nessa época em Portugal. A primeira é a americana Zenith, por muitos relembrada pelos seus portáteis. Aliás já aqui referimos um deles (o Z-Note 325LC) precisamente neste recorte.

A outra referencia é o NMS 9100, o desktop da holandesa Philips que vários portugueses terão usado nos seus escritórios. Nada como visitar o site holandês Home Computer Museum para conhecer um pouco mais sobre este computador. A digitalização pode ser consultada neste link, e o post original do Planeta Sinclair encontra-se neste link.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

RS232 n.º2

Na edição n.º2 da revista RS232 de Fevereiro de 1988 destacamos a publicidade a uma máquina curiosa: ETV 260 da Olivetti - vendida como um sistema para serviço de secretariado, ou seja, uma máquina de escrever. De facto, não mais é que um PC especializado com uma impressora de margarida embutida. Curiosamente, na sequência temos o anúncio a outro equipamento, esse sim, uma máquina electrónica de escrever: a 6746-2 da IBM

Estes equipamentos não foram mais que o canto do cisne da tradicional máquina de escrever. Quem está na casa dos seus 40s ou 50s certamente ainda se lembrará da máquina usada pelos pais ou dos avós, em casa ou no trabalho. Mas chegados os anos 1990, os computadores pessoais e os processadores de texto empurraram a velha máquina de escrever para o esquecimento.

No espaço comercial da revista encontramos ainda o desktop WYSE PC 286. No Arvutimuuseum, o mais antigo museu de computadores da Estónia, temos as especificações dos vários modelos de motherboard deste equipamento. E no site The Computer Archive podemos ler uma brochura comercial descrevendo detalhadamente este AT.

E também podemos ler sobre o tema de capa: Ventura Publisher, software de paginação/diagramação, comercializado pela Xerox, mas que viria a ser adquirido pela Corel em 1993. E há muito mais para ler nesta edição, preservada pelo Planeta Sinclair, e cujo post original está neste link. A digitalização encontra-se neste link.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

RS232 n.º1

Já há alguns meses que o Planeta Sinclair, o nosso blogue irmão, tem disponibilizado as digitalizações da RS232, uma revista portuguesa dedicada à micro-informática, cuja primeira edição foi em Janeiro de 1988, tendo publicado um total de 38 números até desaparecer. 

Foram vários os sistemas abordados pela RS232, sendo que o ZX Spectrum teve maior destaque, pelo menos, na fase inicial da revista; o motivo pelo qual a preservação foi realizada no contexto do Planeta Sinclair. Mais informação sobre esta revista e o trabalho de preservação realizado pode ser obtida aqui.

A RS232 foi evoluindo à medida que as várias edições foram sendo publicadas, reflectindo-se numa maior abrangência de sistemas e plataformas, incluíndo o IBM PC, com artigos sobre as novidades do mercado, além de inúmeras contribuições dos leitores na forma de listagens. Aliás, já aqui apresentamos uma listagem em GW-BASIC encontrada numa das edições da RS232.

Chegou a hora de mostrarmos a revista também ao nosso público, evidenciado factos e curiosidades encontrados nesta publicação que sejam relevantes para a temática do nosso blogue.

E para tal, começamos com um pequeno texto que podemos ler na RS232 n.º1 sobre o PAC 286 da fabricante Tandon, nome que muitos reconhecerão pelos discos que produziu - a sua área de expertise. O Virginia Computer Museum tem uma página dedicada a esta máquina 286 com placa gráfica Hercules, assente numa estrutura robusta em metal.

Obviamente, esta edição não vale apenas por isto. Os fãs da micro-computação dos anos 1980 vão deliciar-se com a abrangência desta revista. A digitalização pode ser obtida neste link. E o post original do Planeta Sinclair encontra-se neste link.

sábado, 13 de novembro de 2021

sábado, 13 de novembro de 2021

Código-fonte de Little Big Adventure

No passado mês de setembro foi anunciado o desenvolvimento de um novo jogo pertencente ao universo de "Little Big Adventure" (LBA) - a produção francesa que encantou os jogadores e mercado no ano de 1994.

Foi um título marcante, não só pela estética peculiar resultante da integração de personagens 3D com belíssimos cenários isométricos em 2D, mas também por combinar elementos de aventura e acção num enredo cinematográfico.

Muitos anos depois de LBA 2 ter sido lançado em 1997, e de uma re-edição da série em 2015, o estúdio indie 2point21 iniciou o desenvolvimento de um terceiro jogo. E conta na sua equipe com dois veteranos franceses: Didier Chanfray e Frédérick Raynal, nem mais nem menos que os dois co-criadores da franquia.

Ainda não há muitos detalhes sobre este novo título, mas o estúdio francês já deu mais um presente para a comunidade de fãs: publicaram o código-fonte dos engines dos dois primeiros "Little Big Adventure", seguindo a recente tendência de preservação histórica dos códigos-fonte. É também uma oportunidade para os interessados em programação de jogos e de assembly satisfazerem a sua curiosidade...

Fontes:
https://blog.2point21.com/p/journey-new-lba-game
https://github.com/2point21/
https://gameworldobserver.com/2021/09/08/new-studio-2-21-to-develop-little-big-adventure-sequel-reboot

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Novas isenções para preservação de software antigo

Boas notícias para os que se dedicam à preservação de software! O Escritório de Direitos de Autor dos Estados Unidos (U.S. Copyright Office) publicou novas isenções para bibliotecas e arquivos em relação a vários tipos de mídia. Entre essas isenções está o software antigo que não esteja a ser distribuído atualmente.

Os arquivos poderão disponibilizar o acesso, por exemplo, a antigos sistemas operativos, via emulação em web-browser. Fora desta isenção estão os jogos antigos, considerados como tendo valor comercial por conta dos relançamentos - um ponto discutível para quem se dedica particularmente à preservação histórica de jogos.

Ainda assim é mais um passo importante que permite a divulgação de software histórico. Como foi observado num tweet, também passa a ser possível às bibliotecas fazerem cópias do seu acervo de CDs e DVDs, para não se perderem com o infame "disc rot" - a deterioração que afecta estes suportes óticos com mais de 20 anos. O Planeta Sinclair que o diga: as fitas magnéticas parecem ser bem mais robustas...

A fonte desta notícia encontra-se neste link.